quinta-feira, junho 29, 2006

Miguel


Para ti que nunca me vais ler...

Demorei tanto tempo para te escrever estas palavras, as que nunca saberás
Ou talvez sim, talvez um dia alguém comente em jeito de troça, tentando tirar valor a estas linhas que te dedico, mas não te preocupes Puto pois "não seriam cartas de amor se não fossem ridículas", será apenas a cobiça a falar mais alto.
Pode acontecer que o excesso de vontade de te dizer o que quero, faça com que tropeçe nas palavras - como contar um amor? Há coisas que não são diziveis.
Ciúmes, gritos, lágrimas de raiva.
Separações, saudades, lágrimas de amor.
Tempos conturbados.
Não, aqueles dois não vão longe.
Prenunciava-se a morte de um amor imaturo.
Neste nosso amor bravo os extremos tocaram-se arriscadamente.
Foi feio, fraco, pequeno, bruto, amargo
Foi lindo, forte, grande, meigo, doce
Amar não é fácil.
Sobrevivemos.
Cedências...que pensava só minhas.
Não são, não foram.
Demos muito de nós, demos tudo.
Fizeste-me perder a estribeiras, sair fora de mim
Fizeste-me menina mais mulher
Fizeste-me mãe
És o meu homem, o meu fogo, o meu desatino, o meu Amor
És o pai do meu filho

Foi dificil mas estamos cá para contar como foi.

If it doesn´t kill you, it just makes you stronger

terça-feira, junho 27, 2006

Agora que tenho um blog



já foi há mais de um mês
depois do cafézito, sentei-me sózinha no escritório
ninguem antes das 10h, o que me dá cerca de uma hora
papelada em dia, uns telefonemas, actualizar contactos
navega-se, consulta-se os movimentos de conta, "bom dia mãe", bom dia a todos os que estão no messenger, ou seja, "bom dia mãe"
fui ao meu msn space, pois é isso - o blog dos totós
e não estava lá - oh que merda! tantas palavras de amor perdidas na rede...maldita, porca, verde, morra a rede, morra, pim!
1 dia, 2....10..15...e lá voltou a aparecer, tanto alarido para nada!
pois, mas gato escaldado...na volta escalda-se outra vez! Vamos lá ver.

segunda-feira, junho 26, 2006

Pablo Neruda


Walking Around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

quarta-feira, junho 21, 2006

Os Tugas




Quer a gente queira quer não, quem é Tuga já anda por esta altura com umas certas comichões (leia-se nervos pequenitos) por causa daquela coisita redonda – sim, a bola, essa mesma…a do futebol.

Não há como evitar. Voltam-nos desde logo à memória as emoções vividas e o desaire sofrido no Europeu…e que sofrido!!

Alguns daqueles que, como eu, só nestas ocasiões se entregam a este género de agitações – optaram por dizer não! Desta vez: tou nem aí!

Sim, mas isso foi antes de tudo recomeçar…como se fosse possível optar ser Tuga ou não ser! Desta vez não é uma questão!

Primeiro Angola – não foi brilhante, mas deu para reavivar algumas memórias, depois o Irão – e aí sim, já se experimentaram palpitações, já vibrámos, e os mais incautos já sonharam com voos bastante mais altos. A partir daqui todas as emoções, para o bem e para o mal, são em sentido ascendente.

As bandeiras voltam às janelas, e as suas cores multiplicam-se em vestimentas e pinturas.

Daqui a pouco mais de 2 horas Portugal volta a jogar, e mais uma vez o país vai parar e milhares de pessoas vão rezar e fazer força para mais uma vitória.

Mais uma vez…voltamos a acreditar.

segunda-feira, junho 12, 2006

A minha amiga Teresinha


A Teresinha…é assim que a chamamos, porque ela é assim mesmo: uma Teresa muito querida!

Ao longo da vida cruzamo-nos com uma catrefada de pessoas, umas com quem apenas nos cruzamos e dessas não há memória, outras que são as conhecidas e que basicamente não conhecemos (não percebo esta contradição), ainda temos as colegas de trabalho e de faculdade (...) e outras que são as amigas (muito poucas por sinal).

Dentro desta condição temos vários exemplares.

Há aquelas que são as amigas de toda a vida, que o são desde de que nos lembramos de nós, e temos a certeza absoluta (e esta é uma excepção à regra de que não há certezas para além da morte) que sempre o serão – destas amigas se conseguires ter mais do que uma (a tua mãe) és uma pessoa cheia de sorte, e eu tenho (a prima).

Temos outro espécime que são aquelas amigas de quem também gostas muito, mas pouco ou nada têm a ver contigo, no modo de ser, pensar, experiência de vida, mas que talvez por serem tão diferentes faz-te sentir bem estar com elas…como se nessas alturas vivesses um pouco outras realidades e te esquecesses um pouco do teu mundinho – descontrais, escapas ao hábito.

E depois há a teresinha, aquela amiga com quem estás muito menos vezes do que gostarias, a quem por hábito não te confessas, e que apesar de nunca terem falado acerca do que pensam uma da outra…parece que se conhecem de sempre e ainda que não o façam sabem que podem falar de tudo (mesmo tudo) e que do outro lado vai sempre haver um sorriso e alguém que te entende.

Assim é a minha amiga Teresinha...e dentro desta categoria só cabe mesmo ela.

estou certa que quem nos conhece pode jurar que somos tão diferentes, e até somos na forma como nos damos a ver, mas acho que ambas sabemos que temos muito em comum.

Já agora aproveito para te dizer que também gosto muito de ti…

segunda-feira, junho 05, 2006

ACERCA DE NADA


Já há tempos que andava nestas aventuras do pensamento, e de vez em quando, sorrateira, surgia a ideia do porquê ser sempre a família o mote para as minhas escritas??? Por ser o mais importante na minha vida, conclui eu, pensarão vocês.

Mas será que só me soltam as palavras em prol de algo importante? Não, com certeza, se pensar nas Putas das Cuecas, mas também, outra vez, as cuecas são de alguém muiiitoooo importante, tá-se a ver!

Ora então hoje decidi que a acompanhar o café da manhã, tomaria uma atitude, escreveria acerca de tudo ou de nada, o essencial é que seja irrelevante.

Pois aí estão as minhas escassas leitoras, mas de grande qualidade por sinal, a matutar:
mas afinal esta gaja vai escrever sobre o quê? Escreve, escreve, escreve – e não diz nada.
E depois? Olha que porra! Há prá aí tanta gente que o faz e vocês divertem-se!
Olha, por exemplo, as músicas do João Pedro Pais (é assim que ele se chama, não é?), o Poeta Injustiçado!
 
“Desce p`la a avenida, a lua nua… 
e vagando à sorte dormita nas ruas…
Faz-se d esquecida, como minha e tua
Deixando um rasto, que nos apazigua..”
 
Oram digam lá que isto não é de uma profundidade profunda?!
Não digam que é lindo, nem que deslumbra…
Algo que vos confunda…
E pensem em mim e na minha bunda!
 
Lindo…este momento de inspiração!
 

O que interessa é tagarelar, encher a folha, despejar algumas palavras e turvar-vos o raciocínio por alguns minutos…não se pense que a leitura tem que apelar a algum sentimento mais nobre, não senhora!

Vamos nós estar aqui neste instante de descontracção a falar da crise económica, da violência doméstica, ou das estudantes portuguesas que vendem os seus óvulos aos Espanhóis?!?!

Não! Não me apetece, e pronto!

Vamos falar dos outros…que parvos que são os outros! Quem? Aqueles que não somos nós, e não pensam como tal, são mesmo estúpidos, não são? Tolerância zero para a estupidez! Acham que podem chegar e dar a opinião, pois…por isso é que as opiniões valem o que valem – não se vendem, dão-se!

Neste dia soalheiro…vamos falar mal, ora já se está a antever que vamo-nos sentar todas ao sol a falar mal dos outros! E esta? Ahhh, pois é, uma das definições no nosso primoroso dicionário da língua portuguesa

Soalheiro

de soalho < Sol

adj.,

diz-se do lugar exposto ao Sol;

s. m., fam.,

reunião de pessoas ociosas a falar na vida alheia, habitualmente sentadas ao Sol.

Pois, mas nós não somos ociosas, pois não? Logo isto não se aplica aqui às madames. Nós edificamos pareceres – NÃO FALAMOS MAL!!!

Pois mas agora se põe a questão: falar dos outros para quê? Se não têm utilidade nenhuma?!?

Porquê perder tempo a falar da porca da vizinha, ou da besta com quem te cruzaste outro dia, ou da falta de carácter de tanta gente???

Sim, às vezes até se pode tornar um passatempo divertido…até pode parecer que ajuda a descontrair, mas no fim acaba por ser algo despojado de proveitos.

Nada como erigir elogios àqueles que nos são queridos, falar do que nos vais no coração…isso sim lava-nos a alma.

Aí está o porquê de eu só escrever acerca de…

sexta-feira, maio 19, 2006

À HILMA PORTUGAL PROENÇA


A D. Hilma, a Sr.ª Professora, a Sr.ª. Directora da escola primária lá do bairro – que ensinou tantos miúdos, hoje já tão graúdos – tenho a certeza muitos se lembrarão dela por estes “nomes”.

A Mãezinha, a Avó Madrinha e também avó Hilma, mas para mim era e é unicamente a Avó – pois não tive mais nenhuma a quem se adequasse esse nome tão distinto.

Quando penso na Avó a imagem que se impõe é muito quentinha e reconfortante - invariavelmente a mesma: sentada no seu sofá com o aquecedor a óleo à frente das pernas, uma manta por cima e o gato Menino enroscado ao seu colo.

Quando penso na Avó penso também em coisas doces.

A Avó tinha sempre pão-de-ló e fazia bolinhos côco…era uma avó gulosa!!!

Negociava comigo latas de leite condensado e tabletes de chocolate para eu denunciar quem tinha feito asneira…e eu vendia-me por aqueles doces, agora acho que não era só pelo petisco, imagino que era também para ela gostar um bocadinho mais de mim do que gostava das outras…as primas. Ai estes sentimentos que são tão feios, mas tão inocentes quando sentidos por uma catraia.

Quando penso na Avó penso também nos primeiros livros que li.

A Avó gostava que eu lhe lesse histórias, sim…eu é que contava histórias à minha avó, e não pensem que eram historinhas, eram livros a sério que íamos vivendo todas as tardes um bocadinho.

Quando penso na Avó, penso na sorte que tive em ter uma Avó capaz de preencher o meu coração com todo o carinho e atenção que deveriam ter vindo de quatro avós – Quatro! Imaginem só! Pois é, mas a Avó valia por quatro e por mais quantos fossem precisos – como aliás é algo recorrente na minha vida, as mulheres que valem por si e por mais alguém.

Apanhada pela cegueira, que foi progredindo até à totalidade com o passar dos anos, a Avó era uma mulher excepcional, capaz de tomar conta de si, da casa, do Menino e da Menina (os gatos), da Miss e do Totó (os cães), e das netas…da Marta e da Cláudia, da Susana e da Patrícia e, claro, de mim – cinco fedelhas travessas que não lhe facilitavam a vida!

Já lá vão 18 (?) anos que partiste deste mundo Avó, mas podes ter a certeza que continuas muito viva dentro do coração de muitos a quem foste querida, e enquanto as tuas netas existirem (que pela lei da vida serão as últimas a partir) estarás sempre viva e recordada com muito amor e saudades.

P.S. Desculpa Mãe se te fiz chorar.

terça-feira, março 07, 2006

OS DIAS DO BLOG



Antes de mais quero aqui dizer que pedi este título emprestado a um escritor, António Manuel Venda, que muito me apraz ler.

E não é que é verdade? São sem dúvida os dias dele…do Blog.

Permite-nos ter a veleidade de expressar o que provavelmente nunca diríamos ou sequer escreveríamos se não fosse desta forma…há aqui um lado tímido, introvertido, acanhado – escrevemos para alguém, mas não temos forçosamente que mencionar essa(s) pessoa(s), ou mesmo que o façamos não é como uma carta ou um mail que vai directamente ao destinatário, fica lá à espera que alguém o leia.

Tornamos públicos alguns sentimentos mais íntimos e aqueles que o lêem podem apreciar à vontade, sem se verem obrigados a expressar a sua opinião – sim porque certas confissões feitas cara-a-cara deixam mais constrangidos aqueles a quem se dirigem do propriamente aqueles que as fazem.

E quando alguém faz um comentário àquilo que escreveste pode ser sincero, o que nem sempre se tem coragem para ser quando toca a admitir sensibilidades.

Podemos falar sobre coisas importantíssimas ou sobre algo que não interessa a ninguém – são ambos assuntos relevantes, escrevemos porque nos apetece e pronto.

Há aqui uma vertente social importante em que todos os cidadãos, mais do que nunca, podem expor os seus pensamentos acerca do que se vai passando neste mundo, mas não é essa que me traz aqui… mas sim o lado pessoal, os amigos, os amantes, a família, aqueles que amamos, os pequenos nadas do dia-a-dia. Podemos extravasar o nosso lado mais narcísico, falarmos de nós …sim, quem é que se atreveria a escrever uma carta ou mail a alguém a falar de si próprio? Muito poucos, tenho a certeza.

Enfim diz o que te vai na alma, escreve sem preconceitos, grita a todos aquilo que pensas…aproveita, pois estes são os dias do Blog!

quinta-feira, março 02, 2006

As Putas das Cuecas





Começou na semana passada.

H – Comprei estas cuecas. Gostas?

M – Sim, são giras

H – Comprei também em preto, mas esta cor é gira, não é?

M – Sim, são muito giras.

H – Depois põe de parte aquelas mais velhas para a minha mãe coser.

H – Já viste como estão rotas?!

M – Realmente!

H – Levo para a minha mãe cozer e ficam para eu andar de bicicleta.

M – Hum, hum

H – Comprei o nº 4, acho que é este o número. As outras que compraste que nº eram?

M – Achas que me lembro disso???

H – Mas estas têm uma cor muita gira. Não têm?

M – Outra vez? Já te disse que sim!

Ficou por ali.

Esta semana.

Á noite, ela a tentar arrumar as coisas para o dia seguinte. De volta dela.

H – Chega aqui. Estás a ver estas cuecas?

Não estava a ver nada, pois estava na cozinha e as cuecas no quarto, mas ele de roda dela como quem diz, vá lá anda aqui ao quarto que isto é muito importante. Ela lá foi.

H – Estás a ver estas cuecas?

M – Simmmmm.

H – Depois hás-de ver na roupa seca as outras que comprei - as pretas e põe aqui de lado, já aqui pus estas que são para dar ao miúdo, as outras mais rotas deitei fora e ficam só aquelas cinzentas e as outras mais baratas que a tua prima me ofereceu no Natal para andar de bicicleta. Hoje fui comprar o nº 5. Sinto-me muito melhor!

M – Pois…deve ser esse o teu nº.

H – Mas ficam-me bem, não ficam?

M – Para mim é igual, tu é que sabes como é que te sentes – achas que eu noto diferença!?!?!

H – As pretas também são giras, mas gosto muito desta cor.

Às vezes ela pensava que ia ficar maluca por causa das conversas, como estas …as das cuecas! O que é que ela tinha a ver com essa merda? Ele que fizesse o que quisessse. Não que ela não gostasse de saber as novidades da sua roupa interior, mas bastava que ele lhe perguntasse UMA VEZ se ela gostava. E pronto. Era tão mais que suficiente!

Ela não gostava menos dele por causa disto , aliás ela até se ria quando se lembrava destas conversas , mas naquele momento…ahhhhhhhhhhhh que raiva! Só lhe apetecia dizer: “Ó pá vai à merda, que eu estou farta de ouvir falar das cuecas novas e das velhas, e da cor e da puta que as pariu. Eu quero lá saber disso!”

E ela quase que aposta que ele ainda vai dizer pelo menos mais umas duas vezes “estas cuecas são mesmo confortáveis, têm uma cor muito gira!” – Ah, a propósito as cuecas são verde tropa, e as outras são pretas, mas isso vocês já sabem!

quarta-feira, março 01, 2006

O dia em que tu nasceste


Fim da tarde, por volta das 19h, 1ª contracção…no momento eu não sabia, sentia qualquer coisa....que voltou passado pouco tempo.

Continuei a preparar o jantar, a noite estava boa…jantámos lá fora.

Não me esqueço, a vizinha do 1º andar veio à janela e viu-me a pôr-te a mão em cima “Cá para mim isso não passa de hoje” – sorri, talvez já um sorriso nervoso.

O teu pai perguntou o que é que sentia “Não sei é uma impressão…” não fez mais nenhuma observação ou sequer voltou a perguntar o que é que se passava, apercebeu-se que, fosse o que fosse, era cada vez mais evidente…mas manteve aquele silêncio que lhe é tão comum quando fica nervoso.

Pouco passava das 10 da noite. Embora não me tenha dito nada acho que o teu pai contava o tempo entre cada um daqueles "apertos" que me faziam encolher, e foi ele que decidiu que tinha chegado a hora .

No caminho liguei à tua avó ainda um pouco incrédula - ela é que me ia acompanhar, pois os nervos do teu pai não lhe permitem tais proezas...ver um filho nascer ultrapassa a sua capacidade de encaixe!

Meia hora à espera, e já não era aquela “impressão” eram dores cada vez mais fortes, cada vez com mais frequência – e o teu pai cada vez mais impaciente.

Chamaram-me.

- Dispa-se e deite-se aí!

Veio uma enfermeira, uma mentecapta com certeza frustrada com aquilo que vida lhe reservou, e que a tornou num ser inútil e abrutalhado! Fez-me o toque ...e que toque!!!

Agora que penso nisso, acho curioso esse nome. Toque?!?!?! Que subtileza! Aquilo é pancada, dói que se farta!

“Está com dois de dilatação…quer contribuir para a educação destas alunas?”

Olhei – eram cinco! Cinco raparigas a aprenderem e provavelmente a pensarem que um dia estariam no papel oposto...talvez por isso e também por estarem ali cheias de vontade de aprender e acreditarem que podem ajudar os outros, conseguiram proporcionar-me momentos mais calmos e reconfortantes...e por isso agradeço a presença delas.

– Pode ser, mas só uma, se não se importarem…

Uma delas, a medo lá fez o toque, este sim fez justiça ao nome que lhe dão. De repente um líquido quente escorre-me pelas pernas...

Sentia-me tão vulnerável, só queria que me ajudassem, que todos os que tivessem que participar no teu nascimento o fizessem de boa vontade para que tudo corresse bem. Bem sei que é a obrigação deles (enfermeiros, médicos...), mas como tudo na vida, se for feito com gosto, tudo se torna mais simples.

- Vá àquela casa de banho lave-se, ponha a sua roupa neste saco e vista a bata.

Pensei que precisava de auxílio, as contracções já não me deixavam dar dois passos sem parar e o banho não foi fácil, mas não quis pedir ajuda…quando passei vi a tua avó a sorrir-me e só me apetecia chorar, mas não o fiz.

Comecei a respirar fundo para me concentrar em algo, as dores eram já bastante fortes e eu só pensava “Tenho que aguentar, não há outro remédio…por isso não te descontroles, respira fundo!”

E lá vem a nossa “amiga bruta”: "Está a respirar assim para quê?! Ainda fica com dores de cabeça!”. Nem sequer lhe respondi, naquele momento não precisava que aquele ser repulsivo me desorientasse.

- Preciso que digam à minha mãe onde estou, ela pode vir – não pode?

- Sim, já dizemos, agora vá-se lá deitar!

Deitei-me, sentia o corpo a “esticar” – Desculpe, já avisaram a minha mãe?

- Oh menina tenha calma!

Mas porque é que não vens mãe? Eu preciso tanto de ti aqui!

- A menina vai querer a epidural?

- Sim, sim!

Entretanto chegou a tua avó, que bom!

As dores cada vez mais constantes, já não tinha tempo para descansar entre as contracções… e agora que já tinha a minha mãe, era a epidural que não vinha, e a tua avó que já estava a ficar nervosa.

- “Mas porque é que não lhe dão a epidural?! Daqui a nada está a nascer o bebé e ela está cheia de dores!”

Mais um toque…”está com 4”.

- Olhe se calhar não vai levar a epidural…sabe há aí uns casos complicados e o anestesista está com muito trabalho!

“Não pode ser!” pensei eu – E de repente percebes que o que tiver que ser, será e que realmente és mais forte do que pensavas e vais suportar o que for inevitável.

Às 3 da manhã mais um "toque": “Está com 6…Menina vem aí o anestesista”.

Por um breve momento as dores voaram, e eu que até nem sou católica pensei “Deus existe e é grande!”

É crítico, não te podes mexer mesmo quando os teus ossos estão a ser repuxados, mas a recompensa é grandiosa!

As dores começaram a desvanecer-se e passado meia hora já tinham ido – Abençoado o ser que inventou a anestesia!

Qual castigo Divino, qual quê!

Depois…adormeci – o resto do trabalho de parto foi feito na paz dos Deuses.

E a tua avó sempre ao meu lado - como de resto o tem feito em toda a minha vida.

Pouco passava das 6 da manhã quando as dores voltaram, a esta hora felizmente a enfermeira já não era a mesma, mas sim um doce de pessoa, meiga e que me disse o que eu mais queria ouvir “Está pronta, vamos para a sala de partos” – foi música para os meus ouvidos - finalmente ia-te conhecer.

A partir daí foi tudo bastante rápido. Respirar, fazer força, respirar e força…de repente tudo abana dentro de nós – e foi aquele momento resplandecente e mais único do que qualquer outro, em que te puseram em cima de mim em que olhei para ti e os teus olhinhos tão lindos, o meu filho tão perfeito, e tudo, tudo tão para além daquilo que se consegue descrever...eram 07:10h do dia 1 de Abril de 2005...e superou de longe qualquer expectativa.

A tua avó cortou o cordão umbilical, e nesse mesmo momento, em que fisicamente deixaste de fazer parte de mim, criou-se uma outra ligação muito mais forte, feita de um amor incondicional e que faz com que cada dia da tua vida seja uma alegria para mim.

Para que a minha memória não falseie este acontecimento, pois é comum o tempo alterar as nossas recordações que passam a ser meio verdades meio invenções, aqui fica o meu testemunho do dia em que tu nasceste.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

A minha Mãe...


A minha Mãe

Já vos tinha dito…essa pessoa linda

Foi com alguma estranheza que percebi que ela também era humana

Cresci a admira-la de tal forma que qualquer crítica menos boa que lhe fosse dirigida magoava-me e era seguramente desmerecida!

Aquela super-mulher, independente, forte, auto-suficiente

Depois…com o tempo descobri que a minha Mãe também errava, também sofria, que era possível alguém magoá-la e mais duro ainda que era possível ela magoar-me. E como é fácil magoarmos aqueles que amamos e que nos amam! Basta a palavra “errada” no momento “certo”!

E então o meu respeito e a minha admiração por ti cresceu – tirei-te do pedestal (de onde se pode sempre cair) e coloquei-te bem mais além - num patamar inatingível – aquele onde deveriam estar todas as mães, pois ninguém pode alterar a tua importância e aquilo que significas para mim

Ganhaste muito mais valor quando percebi que és feita do mesmo que todos os outros e que mesmo assim és essa pessoa espantosa, de uma coragem excepcional, que me faz transbordar de orgulho poder dizer: é a minha Mãe!

Ensinaste-me a andar lembrando-me sempre que é essencial saber cair; ensinaste-me a falar e melhor ainda a não ter vergonha de cantar; mostraste-me como é bom ler e ganhei gosto a tentar escrever

Contigo aprendi que são as nossas acções que nos definem, e que é infinitamente mais importante aquilo que somos do que aquilo que temos; ensinaste-me a saber perdoar, e acima de tudo a perdoar-me a mim mesma

Agora que também sou mãe, percebo que me colocaste numa posição difícil – que é a de tentar ser para o meu filho aquilo que tu foste e és para mim, eu sei que nunca será igual, mas será que vou ter a tua sabedoria, o teu bom senso, a tua audácia – saberei tomar as decisões certas, será que conseguirei transmitir-lhe que pode contar comigo seja para o que for – aqui fica o meu forte desejo de ser somente uma boa Mãe, e o mais autêntico e intenso AMO-TE MÃE - obrigada por seres quem és

terça-feira, janeiro 24, 2006

Surpresas agradáveis


É curisosa a nossa inabilidade de nos vermos como os outros nos vêm.
E sabe tão bem quando os outros nos colocam a um nível bem mais acima do que aquele em que nos consideramos- como se nos tivessem a acariciar a alma
Podia jurar que só a minha mãe sentia aquilo que eu escrevia...coisas de mãe...pensava eu.
E eis se não quando...veio o lobo mau (hehehe...estou a brincar!) - recomeçando: eis se não quando resolvo fazer um blog (tudo culpa do meu anjo!)... e não é que consigo tocar mais corações!!! Fico embevecida.
Acharam-me graça e agora aventuro-me a escrever e talvez deixar de ser engraçada, mas vocês são cúmplices - a quem dedico estas palavras, sim porque escrevo apenas para aqueles que conheço e que me conhecem.
Para:
- a minha MÃE essa pessoa linda para a qual nunca encontro palavras suficientes para expressar tudo aquilo que gostaria de lhe dizer
- o meu FILHOTE que ainda não me conhece muito bem, mas conhece-me por dentro como ninguém...(hehehe ...JUST JOKING)...a quem amo de morte e que me corta a respiração só de pensar nele
- a minha MANA DO CORAÇÃO que merece todas as palavras lindas que eu me lembrar de lhe dizer
- a TERESINHA amiga que já amava os seus filhotes muito antes deles terem nascido e que foi presenteada com dois bebés lindos - o que quase me faz acreditar que Deus existe
- a prima Magda que está lá longe no frio, mas que aquece qualquer coração com o seu sorriso permanente e a sua boa disposição
- o meu homem, que apesar de já me ter feito a cabeça em água, tem-se mostrado um amigo e companheiro imprescindível e que AMO MUITO
E para todos aqueles que nunca me hão-de ler mas que tornam a minha existência mais rica e que fazem com que a vida faça sentido - porque são os outros que dão significado à nossa breve passagem pelo mundo e que nos tornam imortais - mais não seja nos seus corações.
E mais não digo...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Para a minha prima - Mana do Coração



É verdade...ando ainda mais ternurenta...tanto que me vieram as lágrimas aos olhos por me chamares "Mana do Coração"
Mas sabes que ainda és mais que isso...és aquela pessoa sem a qual a minha vida teria sido e seria infinitamente mais pobre pois não saberia o verdadeiro significado da palavra amizade
Sei que mesmo que escolha o caminho errado não o vou percorrer sózinha pois tu estarás lá sempre para me apoiar
Sei que a nossa amizade é superior a tudo (muito mais do que qualquer paixão), não se deixa abalar por brigas, ou diferenças de opinião, ciúmes ou preconceitos...nem mesmo pela distância ou pelo tempo
Enfim...todos aqueles lugares comuns acerca deste sentimento fazem sentido porque tu existes
E por isso mesmo ainda é melhor ser a tua mana do coração...porque podias ter escolhida outra qualquer e escolheste-me a mim!

terça-feira, janeiro 03, 2006

E se os anjos existissem?





Há dias que não quero acordar
O corpo e a alma suplicam por descanso. Penso que não me espera nada de novo, que vai ser doloroso falar com ninguém, que vai ser um dia impertinente. Pensarão talvez "que vida dificil"...mas não, nada de mais, nem de menos. Apenas há dias que não me apetece
Mas sabem que mais? Depois acordo e olho para o meu filhote...e tudo muda
E se algo me atordoa o dia basta pensar na alegria dele com as coisinhas mais simples desta vida...e tudo passa
E se estou triste basta lembrar-me daquele sorriso e do som da sua gargalhada...e tudo é lindo
Há dias que acredito que se os anjos existissem...tu serias o meu anjinho protector

domingo, janeiro 01, 2006